Detecção de Incêndio

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SISTEMAS DE DETECÇÃO E ALARME DE INCÊNDIO
Publicado na revista CIPA em 2013

IMPORTÂNCIA DOS ALARMES

Os sistemas de detecção e alarme de incêndio cumprem papel fundamental na proteção de vidas humanas, do patrimônio histórico e de processos industriais. Sua função é identificar qualquer sinal de fogo com precocidade, permitindo o acionamento dos sistemas de supressão e a rápida atuação da brigada de incêndio, além da desocupação da edificação, quando necessária, antes de o ambiente ser tomado pela fumaça.

O sistema é dividido em duas partes. Para a detecção, há um dispositivo dotado de sensores que transmitem a uma estação central a informação de foco de incêndio assim que identificada fumaça, chama ou elevação da temperatura. Em complemento, aparece o alarme, um dispositivo elétrico que emite sons de alerta aos ocupantes durante uma emergência.

A importância do sistema vem sendo comprovada ao longo dos anos, seja por sua reação eficaz em incêndios ou mesmo pelos danos provocados quando da sua ausência. A preocupação com tais sinistros é universal, pois todos os povos já experimentaram perdas significativas pelo fogo, recorda o engenheiro eletricista Mario Nonaka, coordenador da comissão de estudos para Sistemas de Detecção e Alarme de Incêndio do CB-24 da ABNT, sócio-diretor da Digisensor Sistemas, de São Paulo/SP, e distribuidor no Brasil das empresas Edwards Systems Technology e Chemetron Fire Systems.

Antigamente, afirma ele, não havia recursos tecnológicos para evitar incêndios, somente a detecção humana do sinistro por meio dos sentidos. Hoje podemos proteger melhor vidas e patrimônio, há mais conhecimento, tecnologia e equipamentos amplamente disponíveis para detectar e sinalizar um princípio de incêndio.

“Graças ao uso corrente de detectores automáticos de incêndio em todos os países desenvolvidos e em desenvolvimento, temos uma quantidade enorme de fabricantes com produtos que atendem às necessidades de um simples prédio residencial ao mais sofisticado centro comercial e ambientes industriais de alta tecnologia ou alta periculosidade”, avalia Nonaka.

Segundo ele, existe uma tendência entre os analisadores de risco dos países desenvolvidos de investir mais em sistemas de prevenção do que em sistemas de combate a incêndios. “A razão disto é basicamente uma questão de custo x benefício, pois sistemas de detecção e alarme são, em geral, mais rápidos e fáceis de instalar e possuem baixo custo de implantação”, considera.

O engenheiro Mario Nonaka explica que os sistemas de detecção e alarme de incêndio se baseiam no princípio de que, excluindo-se os materiais inflamáveis e explosivos, a grande parte dos incêndios origina-se em um pequeno foco de material sobre aquecido. Por vezes, até em um simples cesto de lixo.

Desta forma, ao utilizar detectores automáticos de calor, fumaça ou radiação luminosa, é possível identificar o fogo em sua fase precoce e avisar as pessoas responsáveis para que controlem o sinistro com maior facilidade e agilidade.

MERCADO

Mario Nonaka divide o mercado brasileiro de detecção e alarme de incêndios em dois. Ele indica que um segmento é formado por produtos importados e certificados nos países desenvolvidos, que são os mesmos equipamentos de primeira linha instalados na Europa, Estados Unidos e Japão. Este mercado, segundo Nonaka, atende a grandes empresas do setor estatal e privado, como prédios públicos, tribunais, grandes escritórios, prédios inteligentes, centrais telefônicas, usinas hidrelétricas, termelétricas e nucleares, indústria petroquímica, todos os grandes bancos, grandes depósitos, museus e bibliotecas.

O outro segmento de mercado é formado por produtos nacionais ou importados, sem marca ou certificação conhecida, o qual atende geralmente, empresas de médio e pequeno porte, prédios comerciais, galerias, pequenos centros comerciais e prédios residenciais.

Nonaka afirma ainda que, apesar de ter sido introduzido no país na década de 70, o mercado de detecção e alarme de incêndio no país evoluiu lentamente e de forma descontrolada por falta de normas técnicas para fabricação e certificação de equipamentos.

“Países como Portugal, Espanha e Chile, com área territorial, população e parque industrial menores que os nossos, instalam mais detectores automáticos que nós”, exemplifica.

CONSUMIDOR

Para Mario Nonaka é importante que o mercado consumidor tenha noção de como o sistema de detecção e alarme deve atuar em caso de incêndio, sabendo identificar se ele é de boa qualidade e confiável, ou não.

“Quem faz o mercado não são os fabricantes ou fornecedores. O mercado é formado pelos consumidores. Sabemos também que é impossível ensiná-lo a separar o joio do trigo com relação aos equipamentos de alarme que adquire”, pondera.

Ele cita dois exemplos de funcionamento dos sistemas que são de difícil percepção pelo usuário. No primeiro, o sistema de detecção de incêndio de uma determinada empresa apresenta alarmes falsos eventuais. Conforme Nonaka, isto não significa que o equipamento seja de má qualidade. “Pode ser um excelente produto que foi mal projetado, ou detectores automáticos instalados em locais inapropriados ou de maneira equivocada”, indica.

Já um sistema que jamais apresente alarmes falsos não é garantia de excepcional qualidade. “Pode ser um produto de quinta categoria que utiliza detectores automáticos de baixa sensibilidade, ou seja, o tempo de resposta do sistema de detecção ou o tempo para gerar o alarme de incêndio será tardio, colocando em perigo a vida das pessoas”, explica.

As normas técnicas são criadas por especialistas do setor consumidor, neutro e produtor, com o objetivo de proteger o consumidor final. Por este motivo, ao adquirir um sistema de detecção e alarme de incêndio, o consumidor deve sempre exigir produtos certificados e a aplicação da norma NBR 17240.

TENDÊNCIAS

Conforme Mario Nonaka, sócio-diretor da Digisensor Sistemas, o uso de sistemas de alarme por voz, com mensagem gravada, é muito comum nos Estados Unidos. Segundo ele, todos os fabricantes americanos possuem este recurso previsto nos seus equipamentos.

“Acredito que, em poucos anos, teremos a preferência dos clientes na escolha deste tipo de alarme em locais de alta concentração de pessoas, como shoppings, hospitais, auditórios, locais públicos e prédios comerciais, onde queremos evitar o barulho estridente de uma sirene”, afirma.

NORMAS

A norma ABNT NBR 17240 teve sua primeira publicação em outubro de 2010. Desde então, o Brasil possui uma norma atualizada e em total sintonia com os textos técnicos internacionais, avalia Mario Nonaka, sócio-diretor da Digisensor Sistemas e coordenador da comissão de estudos para Sistemas de Detecção e Alarme de Incêndio do CB 24/ABNT.

Ele explica que a ABNT enviou cópia da NBR 17240 para unidades do corpo de bombeiros de todos os estados. “Hoje, é uma norma técnica bastante conhecida pelos bombeiros”, afirma. Apesar de ser uma norma única e válida para todo o território nacional, Nonaka salienta que cada estado possui autonomia para regulamentar sua aplicação por decreto, no qual as corporações inserem ou não instruções técnicas complementares.

Para o coordenador da comissão de estudo, uma nova era na elaboração de normas técnicas no Brasil foi iniciada com o convênio entre ABNT e ISO (International Organization for Standardization), órgão internacional de normatização.

“No mundo moderno, não existe mais espaço para improvisos, ‘achismos’ e testes sem fundamento técnico comprovado. Temos que nos alinhar aos padrões e testes de nível internacional. Este caminho para a globalização é definitivo e bidirecional, ou seja, não queremos só importar. No futuro queremos e conseguiremos exportar produtos de detecção e alarme de incêndio com qualidade internacional”, defende.

Todas as partes da ISO 7240 vem sendo traduzidas desde 2011 (leia Normas em construção). A norma trata da fabricação e testes para todos os componentes de um sistema de detecção e alarme de incêndio. Até o fim deste ano, todas as partes devem estar traduzidas e aprovadas. “Assim, o mercado consumidor poderá exigir um produto certificado em laboratório brasileiro, segundo uma norma brasileira, mas com padrão de qualidade internacional”, afirma Nonaka.

CERTIFICAÇÃO DE EQUIPAMENTOS

Mario Nonaka afirma que, como a certificação de equipamentos de detecção e alarme de incêndios no Brasil ainda é voluntária, existe uma grande quantidade de edificações comerciais e industriais, onde podem estar instalados equipamentos detectores de incêndio sem nenhuma certificação, fabricados em desacordo com normas técnicas internacionais, sem terem sido avaliados por algum laboratório especializado e independente.

“Isto significa que, pela inexistência de certificação idônea, o usuário final e autoridades, como os bombeiros, só podem confiar no catálogo do fabricante ou na palavra do instalador, fato inadmissível num país que vai sediar, em breve, eventos globais de grande público”, lamenta.